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A última aula

alicaofinal

http://wp.me/pAmEk-52 ( Shortlink – espalhe!)

Li o livro “A lição final” em junho de 2008.

E, confesso – Não gostei.

Li, em principio porque foi escrito por alguém que eu queria muito ser igual.

Um professor de tecnologia, que tinha como nickname Homem-Computador, que tinha trabalhado na Adobe, no Google e no Walt Disney Imagineering.

Mas achei o livro, apelativo e piegas.

Alguém que tinha a vida inteira pela frente, descobre que tem câncer incurável, e vai morrer e resolve ser alguém melhor para a humanidade,  incluindo em humanidade a sua família.

Em setembro 2009, li o livro novamente – por quê? Não sei.

Costumo ler livros mais de uma vez – e eu leio muito! Mas porque ler novamente algo que não gostei?

Mistério.

http://www.alicaofinal.com.br/

Eu estava procurando inspiração para escrever! Eu escrevo o tempo todo, coisas boas, coisas ruins – mas eu escrevo!

E as sextas feiras eu gosto de escrever algo que foge um pouco de tecnologia – minhas impressões sobre o mundo corporativo ou coisas do tipo, não tenho coluna pra escrever, não tenho textos para entregar, nem propostas comerciais para desenvolver. As sextas sou eu e o teclado – é o melhor dia da semana.

Resolvi então escrever sobre alguém que eu gostaria de ser.

E esbarrei no Google com algo como “ sua raridade faz você valioso”.

“Seja bom fazendo alguma coisa! Isso torna você valioso!”

De click em click cheguei novamente ao Livro de Randy Pausch – fui até a estante, peguei o livro  e comecei a folhear novamente.

Quando você tem um elefante na sala – O apresente!

 

Posso dizer que sofro da Síndrome de Scarlet O´Hara – quando algo me aflige muito eu lembro da atriz Vivien Leigh – bochechas rosadas… ajoelhada sobre a terra vermelha de Tara – cílios imensos, com fome, com sede , sua linda fazenda aos pedaços ocasionados pela Guerra de Secessão Americana.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_dos_Estados_Unidos_da_Am%C3%A9rica

E charmosamente diz até com desprezo – Eu penso nisso amanhã! Afinal amanhã é outro dia.

 

Confesso que não tem sido muito produtiva essa atitude – mesmo porque não sou a Scarlet e não estou em Tara.

É preciso enfrentar os problemas de frente! – Se você tem um elefante na sala – o Apresente!

Randy tinha todos os motivos do mundo para dar uma de Scarlet e se sentar aguardando o “desfecho”.

Mas, o caminho dele foi apresentar o Elefante!

Em sua ” última aula”, ele pediu aos professores que pensassem sobre o que mais importa para eles e dessem uma aula final hipotética. 

Deixar a Scarlet de lado e apresentar o elefante poupa  tempo – tempo precioso!

Tempo é a matéria prima mais escassa ultimamente.

  

Randy Pausch morreu em 25 de julho de 2008 em sua casa com a mulher e os filhos em Chesapeake, Virginia.

Minhas dicas de hoje são:

  • Apresente o Elefante!
  • Faça uma lista do que você queria ser quando era criança- leia entre as linhas, seja honesto – e Siga o seu sonho!
  • (*Eu queria ser jornalista – bem, acho que estou me aproximando o maximo que posso disso.)
  • Realize os sonhos dos outros, e os seus sonhos chegarao até você!

Bom final de semana a todos!

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A Síndrome do Comprador e do Comprado.

sindromeEm um encontro com amigos no final de semana, tive a triste noticia de mais algumas demissões.

Curiosamente quando analisávamos os motivos ( isso é um forma bonita de dizer que estávamos mesmo era desabafando sobre essa porcaria de ambiente corporativo em que vivemos ; para mim no passado porque abandonei as corporações por não entender como em uma instituição que tem objetivos claros de ganhar dinheiro se perde tanto tempo com política – alias política mal feita, se bem feita fosse seria, uma delicia trabalhar nessas corporações ); os motivos das demissões foram as fusões e aquisições.

Segundo Wiki:

Fusão é a operação societária por meio da qual duas ou mais sociedades comerciais juntam seus patrimônios a fim de formarem uma nova sociedade comercial, conseqüentemente deixando de existir individualmente. Difere da incorporação, que a operação que resulta da absorção de um ou mais patrimônios de uma sociedade, por outra sociedade (ou outra figura qualquer empresarial).

Voltando pra casa, pensando enquanto dirigia, comecei a contar nos dedos por quantas fusões e aquisições já passei, e me espantei com o número – Foram 6!!

Minha vida profissional em Tecnologia já soma 21 anos, e estatisticamente falando a cada 3,5 anos as fusões emplacavam meus sonhos profissionais.

Em 5 fusões não fui beneficiada, e em 1 delas covardemente me retirei já esperando o pior.

Só de Bancos foram 61 Fusões ou Aquisições! Desde 1998! veja o link abaixo:

http://www.riskbank.com.br/anexo/fusoes.pdf

Recordo-me que em todas elas o primeiro discurso é sempre o mesmo: ( em itálico a tradução )

  • Todos os salários e benefícios de ambas as empresas serão mantidos, e posteriormente serão feitas “adaptações” para a nova empresa.  “
    • Analisaremos qual empresa tem o menor grupo de benefícios e utilizaremos para todos
  • Não haverão demissões;
    • Só haverá um realinhamento de cargos e salários , para as posições onde existem duas pessoas com hierarquia similar será mantido o profissional da empresa compradora.

É nesse ponto que levanto a discussão sobre a “Síndrome do Comprador e do Comprado” .

  • O quanto é reconfortante ser o Comprador? Já que seus benefícios e forma de remuneração correm risco.
  • O quão  desafiador é ser o Comprado?  E Mostrar que se a empresa onde você trabalha foi  absorvida porque tem valores técnicos e comerciais importantes que o seu patrimônio intelectual tem que ser preservado para que a fusão possa valer as projeções feitas nos escritórios das consultorias.

De acordo com o Boston Consulting Group. Entre 1992 e 2008 cerca de 58,3% de todas as fusões e aquisições (F&A) não só falharam em criar valor para os acionistas, mas fizeram com que as ações perdessem valor, resultando em uma perda de 1,2% em todas as transações.

Tipicamente, um dos aclamados benefícios de uma aquisição é a redução dos custos de back-office. A teoria é que através da combinação do sistema das duas companhias participantes haveria geração de economias de infra-estrutura.

Então porque o percentual de falha é tão grande?

Gordon Lovell-Read, CIO, Siemens ( com grande experiência no assunto ) disse:.

“Estive envolvido em mais de 30 aquisições, algumas amigáveis e algumas, não. Felizmente existe somente um caso em que eu fui obrigado a abandonar as premissas da companhia que estávamos adquirindo. A maioria das questões podem ser reconhecidas já na fase de diligência, de forma que os CIOs podem se preparar. O envolvimento no início do processo irá determinar se a integração será ‘leve’ ou ‘pesada’”.

Bom, parece que tive sorte não é? Todas as que passei foram bem “pesadas”.

Na verdade eu entendo que os estudos feitos para as fusões não levam em conta o  principal item da fusão. AS PESSOAS.

Já vi e analisei os relatórios das fusões, se fala muito na carteira de clientes, na redução de custos pela ‘junção” do BackOffice e da participação maior no mercado e o ultimo item, detalhado numa folha A4, é descrito o patrimônio intelectual com o seguinte equivoco analítico:

Empresa A te 550 colaboradores, Empresa B tem 200 colaboradores, com a Junção dos escritórios teremos lugar para 600 pessoas!!  Faças as contas.

A questão chave é que qualquer fusão ou aquisição tem um impacto enorme sob as pessoas. Existem divisões de cultura e a insegurança sempre orienta as ações nesses dias

Interminaveis reuniões com os departamentos causam pânico pelos corredores, auditores sisudos em seus ternos azuis marinho andam pelo corredores olhando friamente para as pessoas em suas mesas – prontas para o abate! Mundos são revirados.

TI deixada para fora
De acordo com a pesquisa da Informática e conduzida pela Bloor Research e a NCC – Fusões e aquisições e seus impactos na TI – apenas 21% das companhias pesquisadas sentem que as considerações dos problemas da TI têm tido a relevância adequada na decisão de realizar uma fusão ou aquisição.

Mais de 50% das companhias não estavam aptas a prover nenhuma integração em menos de três meses da aquisição, então era impossível entregar o relatório financeiro. No entanto, os benefícios de uma dessas ações devam ser apresentados em menos de 100 dias.

Mais de 33% das companhias não esperavam completar a integração em menos de dois anos ou não podiam dizer quando isso aconteceria.

Pouca documentação de sistemas, ausência de metadados, diversas e mal administradas fontes de dados e a baixa qualidade das mesmas também foram relatadas como problemas significantes por mais de 50% das companhias. Falta de planejamento da integração dos processos de TI foi citado como um problema significante por 54% dos respondentes.

A Bloor diz que está claro a partir do comentário feito por respondentes reais – entre 60 CIOs e líderes seniores – que TI não se sente adequadamente consultada antes ou durante um processo de aquisição na maioria dos casos.

Além disso, o negócio não entende os problemas que podem emergir de pouca documentação, falta de metadados e outras questões que precisam ser entregues antes ou ao início do processo.

Conseqüentemente,  é muito fácil para o negócio subestimar o trabalho a ser feito e os custos e tempo envolvidos. Muitos negócios simplesmente não têm entendimento de TI e, na falta dele, o negócio tomará por supostos que é fácil integrar sistemas de organizações distintas. Além disso, essa é uma das coisas que se você não sabe, simplesmente não sabe, e talvez nunca ocorra às pessoas de negócio que deveriam consultar a TI sobre as complexidades da integração e do tempo necessário.

Resolvi então o mistério – Escolhi a área errada!! TI não esta nos planos das fusões.

Meus amigos demitidos nos últimos tempos são todos de Tecnologia, sofrem hoje a recuperação de quem passou pela “Síndrome do comprador e do Comprado”

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Os Pais do Playground…

sb10062366x-001Para quem é observador como eu, e também não acredita nessa conversinha que a crise já foi ou que nem chegou , vai entender esse post.

Há algum tempo venho notando mudanças na frequencia do Playground do condominio onde vivo. Bom, para quem é consultor e vive de projetos, períodos “between jobs”   são comuns e já me acostumei a moldar um rítmo para esses periodos, e eu divido o dia em  blocos : 1 Bloco igual a 30 minutos…

Ao  acordar continuo mantendo a rotina da corrida matinal, mas não precisa ser tão matinal assim, e para isso eu uso 2 blocos.

Depois escrevo e respondo emails, post, twitto um pouco, escrevo meus artigos , pago contas, procuro oportunidades e para essa atividade uso 6 blocos.

E tenho as atividades com meu filho que se dividem em algo como: levar para a escola = 1 bloco , brincar um pouquinho  = 2 blocos e ir até o Playground 3 blocos.

Qualquer dia publico a tabela dos blocos para os “between jobs“.

Hoje quero falar do Bloco – Playground.

Me divertia indo até o Playground e observando o vai e vem das babás e seus divertidos comentários sobre as patroas, e eu no canto ouvindo e rindo.

Nos ultimos meses tenho notado que já não vejo tantas babás, elas foram substituídas por Pais; é Pais – ainda desconfortáveis sem a gravata e o terno. Pais com os cotovelos apoiados nos joelhos, olhar pálido para o horizonte indiferente as travessuras dos rebentos correndo de um lado para outro.

Notei que cada um fica em um canto do playground – é quase um vergonha estar ali, o número de Pais vem aumentando desde fevereiro, eram 2 agora são 8 e eu.

Nosso silêncio contrangedor deixava claro que a situação não é voluntária , um lê jornal o outro tenta interagir com seus Gêmeos loirinhos sapecas  e um deles me parece familiar; dia após dia as crianças correndo… e os Pais entristecendo. Criei coragem e me aproveitei do sol para puxar conversa:

– Quente hoje né? Até que pra um inverno a temperatura esta agradável…

Ele responde  – É…

– Desculpa perguntar, você não é o Fulano da XYZ ( empresa Alemã de ERP) – ele responde – Era… não sou mais!

-Puxa, Crise?  pergunto quase como se fosse uma doença ruím

– É o que parece, pelo menos foi o que me disseram.

– Entendo! ( disse eu )

Nesse momento um Sr. do seus 50 anos se aproxima  e começamos um papo animado – ele ex executivo de um famoso e-commerce também sofreu efeitos da crise… rimos um pouco, falamos mal de quem não esta presente ( não me critiquem…quem não faz isso??)

E no dia seguinte mais Pais Between Jobs se juntam ao papo, e fazemos o momento do Playground algo mais agradável.

Logo notamos que tínhamos em volta do gira-gira:

1 ex vice-presidente de uma multi nacional de Software, 2 Diretores de Tecnologia, 1 Diretor de e-commerce e 3 Gestores de Projeto de ERP.

Nunca um Playground foi tão tecnologico…

As crianças indiferentes aos desabafos, inquietudes e anseios do nosso grupo , continuam brincando e brigando pelo lugar no balanço…

E nós estamos pensando numa associação ou comunidade e nos auto intitulamos : ” Os Pais do Playground” !! Amanhã vou ensinar a eles  a teoria dos Blocos. 🙂

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